sábado, 8 de abril de 2017

Desabafo

Quantos textos desses bem tristes eu já escrevi pra dizer que não quero mais viver? Muitos e muitos e esse blog inteiro.

A vida não me agrada, eu não quero mais.
Meu deus, eu não quero.

Vale a pena dormir tanto, chorar tanto, morrer tanto só pra manter o aspecto de existência?
Meu deus, eu não quero.

Já estou morta, não me encontro mais,  não sei onde está o fio que liga as coisas, eu já passei da hora, do ponto, do tempo, disso.

Não consigo mais encontrar as conexões, tenho chorado no banho porque não me aguento mais. Meu deus, até quando?

Por que eu ainda estou aqui? Por que não encontro o jeito ideal pra acabar com isso e comigo? Eu não me quero mais, eu quero parar, quero ir embora, quero o sono e quero esse estado mórbido, porque assim dói menos, porque assim é nada, porque assim não sinto e isso com propriedade.

Quero findar tanto, tenho clamado aos céus com palavras profanas "por favor, alguém me mata", isso é viver? Meu deus, eu não aguento mais.

A noite de outro dia já se aproxima nos meus planos. Vou embora sozinha.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Vermes se movimentam pelas minhas artérias
Se eu cortar os braços, em linhas horizontais, e pintar seu nome na parede, você acredita em mim?
E se eu me jogar daquela ponte bonita do centro e te escrever uma carta, você me entende?
Se eu ficar muda pra sempre, nunca mais olhar para os lados e ficar presa numa caixinha de fósforo, resolve?
O que você quer de mim? Para de me machucar. Eu posso fazer isso, se você gosta. Só me diz o que é isso que você está fazendo comigo.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Vômito

Na sombra amarela do quarto
O sentimento me sobreveio pesado

A tua sombra eu já conheço

Uma vez me pareceu abrigo

Proteção daquilo que queima

Então percebi
A onda escura que me cobria

Cherei o dia e então pude ver

Os raios de sol

Pela brecha da janela

A moça que era contra o sentir já dizia:
- Eu não quero o amor e não quero você.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Quando paro para ouvir os gritos dementes do meu ser de dentro do estômago, quando faço um instante de silêncio e esse monstro cresce, grunhindo, agarrando com dentes e unhas meus tecidos, quando paro para pensar em mim e constato que sou podre, só sinto vontade de morrer.

E esse lado da história, ninguém conta?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Apóstrofe

As ondas
Dos eixos
Da sua boca

O pôr do sol
Na ponta
Dos seus dedos

O tom macio
Das nuvens
Na sua garganta

Os relâmpagos
Por trás
De seus olhos

A impetuosidade
Dos teus sinais
Fundos

A cor
Da sua tempestade
Lume

O arfar
Das suas coxas nuas

O escorrer difuso
Da sua vida crua





Alterações

Se eu deixar
De agir como ajo
Deixarei de ser
Quem sou?

Se eu parar
De errar
Pontuando
O nome

De quem me amava
Resta
O que?
Nada

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dualismo

A cada noite

Um sussurro seu

As estrelas pregadas no céu
Prestes a
Desmancharem-se
Diante da escuridão
De cada um
Que é

Fechando os olhos

Não te vejo

Todas as estrelas apagaram-se
Nem dentro de mim
Nem no céu
Não há nenhum ponto
Brilhante
Acabou

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Traição

Eu sou insegura.
Sou frágil.
Sou fraca.

Você sabia disso?
Porque eu posso pensar que você não sabe e por isso me faz doer tanto, ou posso pensar que você sabe, e por isso me faz doer tanto. Qual é o ponto? Eu estou doendo e você continua me machucando.

O ponto é que eu acredito quando você diz que se importa e choro quando você não se importa.
Eu acredito quando você diz que gosta de mim e choro quando você demonstra que não.
O ponto é que eu acredito que você pode ser uma manhã de natal, mas você insiste em ser uma pancada de chuva no dia de visita ao cemitério.

Você me feriu da forma mais funda que é possível lascar minha pele, você me fez uma ferida exposta, diante de você, pra ter o prazer de fazer arder, sem que eu possa fazer nada em minha defesa.

Tudo bem.
Eu aceito os machucados de quem só quer me machucar, só, por favor, pare de fingir que me ama.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O tempo disse não
Tua mãe disse não
As cartas disseram não

Os amigos disseram não
O dinheiro disse não
As portas disseram não

As emoções disseram não
O ciúmes disse não
As cidades disseram não

A razão disse não
O segurança disse não
O céu disse não
Deus disse não

Teus olhos
Me disseram
Sim
Eu gritei sim
Nossos corpos disseram sim

O retorno
diz que sim
O amor
diz que sim

Eu digo sim

Não há força nesse mundo
Maior do que a vontade dos amantes
Não há ninguém além de ti
Que me impeça de te querer
E de te ter

Se você quiser

Me diz que sim?

Girassol amarelo
que nasceu no meu campo
iluminou a vida
e o dia

Fez o sol viver
fez a estrada abrandar
suas pétalas lindas
com cheiro de flor
adoçaram meu faro

Girassol amarelo
que tenho eu de ti?
não vejo mais tua flor
mas suas raízes
fincadas em meu vaso
rego-te todos os dias

mesmo que eu não te veja

nada nasce de novo
mas eu sinto tua vida
em algum cantinho da terra
em algum canteiro de mim

Girassol amarelo
vives em mim

As coisas que eu não posso fazer

Eu não posso dizer que te amo, porque eu te amo.
Não posso te pedir um abraço, porque eu quero o teu abraço.
Não posso te pedir pra voltar, porque eu quero que você volte.
Não posso te pedir pra ficar comigo, porque eu quero a sua companhia.
Não posso dizer que você faz falta, porque você faz.
Não posso dizer que você é o meu amor, porque você é.
Não posso dizer que fiz tudo por você, porque eu fiz.
Não posso dizer que você é o meu mundo, porque você é o meu mundo.
Não posso te ligar, porque eu quero muito ouvir sua voz.
Não posso te dizer pra não tentar envolvimento com as pessoas, porque eu sinto muito.
Não posso dizer que estou em você, porque eu estou em você.
Não posso dizer que você não está pensando direito, porque você não está pensando direito.
Não posso dizer que você não gosta de mim, porque eu não suporto ouvir isso.
As suas atitudes gritam pra mim que eu sou mesmo um lixo, mas eu não posso demonstrar ouvir, pois sei que é a mais pura verdade.
Não posso dizer que você ainda é o monstrinho mais lindo que eu já vi, porque você é a coisa mais linda que eu já vi.

Eu não posso te pedir nada, porque preciso sentir o que vem de você. E apenas o que vem de você. Mesmo que o que venha de você seja o desprezo total por mim.
Não posso esperar que você me ame, porque você não está ao meu lado.

Não posso chorar, porque tenho chorado muito.
Não posso morrer, porque eu sobrevivi.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Mentiras

Me arrumei pra sair, como se tivesse algum lugar pra ir. Sorri como se alguém fosse ver, como se realmente estivesse feliz com qualquer coisa.
Me olhei no espelho e cantei aquela canção, como se tivesse voz pra dizer alguma coisa. Eu contei até 3 como se não tivesse perdido a conta. Me confessei satisfeita, de ventre vazio.
Coloquei brincos, como se eu pudesse ter alguma beleza, falei que estava bem, mas estava pensando de qual ponte me jogar.
Não dormi e pareço radiante, mas estou cansada da vida toda.

Te esperei pra almoçar, mesmo sabendo que você não vinha.

Então quando olhei o que tuas mãos tocavam, quando senti teu cheiro no travesseiro, chorei, chorei e chorei. Enxuguei as lágrimas e me acertei de que tudo bem.

Nada está bem.

E ninguém se importa.

Fim de festa

Eu sei bem como é.
Toda uma excitação gratuita, uma elevação muito muito íngreme, que faz teu cérebro ir parar no estômago. Eu sei bem como é isso. Uma grande, grande, grande coisa de euforia, crescendo, inchando, inchando. Então esse balão de ar muito muito gelado explode no mais alto do ar, quando já te levou às nuvens e vai caindo em partículas minusculas e brilhantes, descendo, vagaroso, como quando um sonho acaba, quando como a música acaba, como quando o amor acaba, como quando tudo acaba. E então os pequenos pontos reluzentes caem e caem e no meio disso, só resta olhar e ficar imediatamente triste e sentir-se frustrado e perceber que não valeu a pena. Então é isso? Nenhuma cor faz sentido, nenhuma felicidade sustenta nada. 
Tudo são só pequenos pontos de luz, precedentes da escuridão total.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Entidade


A tua sombra
Ritualística
Teus olhos
Famintos
E grandes
O místico
Ar entorno
Os planetas sustentados
No fio da tua espinha
A colisão
No giro
Da tua órbita
O menear
Minucioso
E o silêncio
Gemido entredentes
Vazam tuas palavras
Bem colocadas
No fundo
Penetrando
Os lábios mordidos
Escorrendo a gana
Do teu desejo ardido