sábado, 16 de abril de 2016

Palavras pra ninguém.

A noite ventava, agradável, enquanto a conversa fluía entre risos e bebidas, numa alegria descabida, da qual eu não compartilhava nem compreendia. Estava cansada, fumava o cigarro que nem meu era, me perdi no céu azul escuro, olhei fixo pra uma coisa que achei que era um balão. Queria estar naquele balão, pensei. Mas não era um balão, era um estrela. Queria estar naquela estrela. Queria estar num lugar bem longe porque a alegria não me cabe. Tenho a essência do fim bem dentro, como naquelas coisas que estão prestes a morrer, sinto um fio de qualquer coisa fraco e falhando e sumindo e sumindo.
Eu queria dizer que estou triste, mas não cabe, porque tenho me sentido assim o tempo todo. Estou beirando ao descontrole. Preciso me acalmar. Isso não pode explodir, não pode, não de novo e não agora. Eu não suportaria, mas também não suporto. Meus pés estão com cãibras, faz horas. Falar de dor também não é novidade, me calo. Vou para o meu quarto, que na verdade não é meu. Está escuro. Tomo o sexto remédio da noite, ainda dói e não tenho sono. Maldição. Ouço som de quem dorme, estou sozinha. Eu só quero descansar. Estou cansada de chorar também, mas eu choro. Está tudo errado. Tudo errado. Quero ficar quietinha pra sempre. Penso em me matar. Penso tantas vezes nisso que tenho vergonha, tenho vergonha até de admitir pra mim mesma. Alguém me traz um comprimido, o sétimo, nem pergunto o que é, prefiro morrer dormindo do que incomodar mais. Silêncio. Farei silêncio. É o que resta, porque nada resolve. Estou cansada e pesada. Não é culpa de ninguém. Eu só não posso fazer barulho. Silêncio, Rebecca, mantenha o silêncio. Meus dedos sangram, mas tudo bem. Qualquer coisa que alivie um pouco isso. Mastigue sua dor sozinha, digo a mim mesma. Mastigue sua dor.

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