sábado, 19 de março de 2016

Algo em mim
É antigo
Mas nunca ultrapassado

Algo em mim
É o mesmo
E não me abandona

Desde que me fiz
(Talvez antes)
Me acompanha

Como uma faca
Atravessada nas entranhas

Que a gente não sabe se fica
e vive com o incômodo
(e vive o incômodo)

Com o ferimento exposto
Limpando o sangue que vaza
Constantemente

Enfraquecendo a vida
Como se ela, de fato,
não existisse

Por escorrer

Tão fraquinha

Gota a gota

Rumo ao chão

[...]

De tempos em tempos
Eu penso em arrancar a dor
E sinto que vou morrer

Tentando

Tentando tirá-la de mim
Sinto que vou morrer

A dor está pregada em minha carne

Sinto que vou morrer
Porque não tenho força

Eu não tenho forças

Nem pra me curar
Nem pra viver doente

A dor não é minha
Ela vive em mim
Sinto que sou dela
Ela não me deixa viver

Eu quero desistir

(mas também)

Continuar
Tem sido
A minha maior desistência.

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