domingo, 20 de março de 2016

Camomila

(Nunca gostei de chá)
 
Noite de quarta
Quatro-do-quatro

Hoje usei o meu novo anel
Fui ver os meus novos pincéis
Podemos comprar cigarros

Os gatos dormem
A nenê chora
A torta está na geladeira

Eu olho pra ela, ela sorri

Repeat

É Cícero quem diz
Se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar

Nosso quarto
Dispensam flores
Sinto a minha casa naquele estômago

Encontrei a minha paz
Ela, felizmente, não tem nada a ver com você

sábado, 19 de março de 2016

Algo em mim
É antigo
Mas nunca ultrapassado

Algo em mim
É o mesmo
E não me abandona

Desde que me fiz
(Talvez antes)
Me acompanha

Como uma faca
Atravessada nas entranhas

Que a gente não sabe se fica
e vive com o incômodo
(e vive o incômodo)

Com o ferimento exposto
Limpando o sangue que vaza
Constantemente

Enfraquecendo a vida
Como se ela, de fato,
não existisse

Por escorrer

Tão fraquinha

Gota a gota

Rumo ao chão

[...]

De tempos em tempos
Eu penso em arrancar a dor
E sinto que vou morrer

Tentando

Tentando tirá-la de mim
Sinto que vou morrer

A dor está pregada em minha carne

Sinto que vou morrer
Porque não tenho força

Eu não tenho forças

Nem pra me curar
Nem pra viver doente

A dor não é minha
Ela vive em mim
Sinto que sou dela
Ela não me deixa viver

Eu quero desistir

(mas também)

Continuar
Tem sido
A minha maior desistência.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Pequenez.

Eu queria não ser tão boba.
Por todos os santos e deuses, eu apenas precisava deixar de ser tão boboca. Costumo lidar bem com as coisas de fora, mas as de dentro, ah, as de dentro não me dão folga e eu me sinto tão pequena e ofendida e parece que tudo dói. Me sinto criança boba que se joga no chão e chora e não cansa e não aprende que aquilo não resolve. Me sinto ingênua. Sou aquela que, sabendo que não ia dar certo, foi lá e fez.
Quando eu vou parar? Eu vou parar?

Oh universo, ajude-me a conter o meu eu que me fere.

Mas eu nem acredito em prece. E agora, corro pra onde? Pra lugar nenhum.
De fato, quem não atinge a linha de chegada, parece que nunca correu.

Mas eu corro, deus, como eu corro, com a meta de encontrar alguma meta que me faça parar, alguma linha que, quando ultrapassada, me dê descanso.

Mas não chega, não chega e não chega.

Corro de mim e caio direto em meus  braços.
Passo por infinitas curvas e vales.

E eu também já nem sei se ainda corro.
Preciso parar de ser tão boba e crescer dentro de mim.