domingo, 3 de janeiro de 2016

É estranho ser alguém.

Ser é engraçado, esquisito, incômodo.
Porque ser é essencial, certo?
Então o ser é imutável?

Sou o que sou.
Sou o que sou?
Enquanto sou.

Sou até deixar de ser.
Então sou?

O que sou?

Sou o que sou.

Continuo sendo
O que não pude evitar

Ser

Irremediavelmente
Ser

Me sou
Sou outra
Estrangeira
Perdida
Fingindo que conhece a estrada
Me perdendo em cada esquina
Chamando cada vala de casa

Tropeçando em meus próprios pés
Sendo tudo que posso
E nada
Não sou nada

Nunca fui alguém
Agora sou

Estou deitada
Na almofada da sala da rua
Sentindo o cheiro de bolo no forno

Sentindo o dia caindo devagarzinho
Sob minha cabeça
O anúncio do fim
Do começo de cada coisa

Sorrindo
E acabando
E feliz feliz feliz

Saltitante
Eufórica
Caí
De repente
Do firmamente
O fundo do abismo
É perto

Mas tudo bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário