segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Altruísmo.

Quando todas as músicas tristes fizerem sentido
E quando não houver mais dia

Quando eu não souber sorrir
Nem comer
Nem cantar ou sonhar

Quando não enxergar o céu
E os olhos estiverem pesados demais

Quando as palavras se perderem
E a memória se for

Quando eu estiver acabando
Mais do que estou agora

Quando tudo estiver acontecendo
Definitivamente
Quando eu estiver no ponto final do fim
De tanto definhar

Quando eu não aguentar mais
E arrancar meus cabelos
E abrir minha pele
E rir do vermelho

Quando eu não souber mais de mim
Nem do amor
Nem de nada

Quando isso acontecer
E está acontecendo
E você sabe que vai

Quando você sentir que precisa me cuidar
Porque sou incapaz
(sempre fui incapaz)
Quando teu carinho quiser salvar minha vida
Quando eu te olhar feito criança
E perguntar mil vezes embolando na fala
Se o natal é amanhã
Quando a tua ternura se acender
E queimar toda a minha dor no teu peito

Quando eu te ver chorar
Por minha causa
E não souber por que
Vou te amar
Tão forte
Tão forte
Tão forte

Vou te querer pra sempre
Pra sempre

Então antes que te aprisione
Antes que eu não possa mais pensar
Antes que as redes te enlacem
Preciso dizer

Quando o amor
Te fizer sentir
Que precisa dar a sua vida por mim

Me abandone.

Às vezes quando acordo, tudo está desabando. Me sinto um barranco, que desmoronando, leva a casa toda ao chão, fazendo aquele desastre, que todo mundo já sabia que faria, porque afinal, a natureza do barranco é deslizar.
Você já sentiu como se seu destino fosse realmente doer? Me sinto tanto assim. E nem em destino eu costumava acreditar. Não costumava acreditar em nada, mas quando tudo me espreme e me aperta assim, eu peço pra todos os deuses e santos e crenças pra que isso pare, por favor, preciso que pare.
Talvez eu não queira morrer.
Eu não quero morrer.
Só quero que pare de doer tanto.

Sutilezas e desejos.

Você não sabe o quanto te anseio.

Quando estou triste, você me traz a paz que eu não tenho, você me acalma, meu corpo te quer, você é meu aconchego, meu quentinho, onde posso me esconder e ser triste e chorar a vida toda encostada no teu colo, enquanto você me olha e diz que não estou sozinha.
Quando estou tão triste assim, preciso das tuas mãos em mim, pra me dizer que eu sinto, as tuas mãos que me dizem que estou viva, as tuas mãos em mim, firmes, me segurando, tuas mãos firmes que quando - sempre - desfaleço não me permitem cair e morrer.
Você alivia todas as dores, não sei mais como dizer, que as tuas mãos em mim fazem escorrer toda a podridão que tenho dentro, você é como água limpa, corrente, refrescando meus pulsos. Ainda assim tão triste, gozo do bem que você me faz quando me toca, o ritmo que você tem, o jeito como vai fundo e vai forte, irresistivelmente me fazendo sentir, te sentir, sentir que você está em mim, está em mim, dentro de mim, que é você que me faz sentir, você que faz as minhas pernas trêmulas, é você que esvazia minha mente quando me enche de você, invadindo, por todos os lados, latejando por todos os cantos e correndo rápido nas veias, por todo o meu corpo, pelos meus olhos e pela minha boca que não consegue se fechar, pelos meus gritos dementes que anunciam que é você que me cura, que é você que me faz sentir. Você me tira da minha lama e me esvazia, então você me acalma e eu durmo nos teus braços.

domingo, 1 de novembro de 2015

Green eyes.

Te escrevo pra me desculpar daquilo que não tem perdão.

Quando meu sangue escorrer
é pra você que eu vou sorrir
Quando meu sangue escorrer
é pra você que vou cantar

É em você que eu penso
sempre que abro a janela
É em você que eu penso
pra não me jogar.

Não sei como fazer
tudo parar de doer tanto
Você vem e alivia toda a dor

Você me inunda
Teus olhos cheios me afogam
Quero viver por você

Porque se você for comigo
Eu vou
Mesmo que não haja mais pra onde ir
Mesmo que não exista mais
caminho ou rua pra andar
Se você for
eu vou.

Fracasso.

Jurei que não ia fazer isso contigo, que não ia fazer isso com a gente, mas veja só, eu estou fazendo de novo, como fiz todas as vezes, todas as vezes, jurei que não faria.
Estou aqui, escrevendo, pra me desculpar mais uma vez, do que não tem perdão.
Não sei por que eu faço isso, juro que não sei.
Eu só queria te fazer bem e ficar bem
e viver ao menos tranquila, com sorrisos e bom dia, mas minha vida teima em ser essa abismo, esse buraco escuro que atrai e destrói tudo que chega perto.

Não quero que você se perca.

Não quero que você se perca por minha causa.

Não quero que você se perca em mim.