terça-feira, 8 de setembro de 2015

Orfã.

Você me olha
Não me reconhece
Porque nunca soube
Quem eu sou

Você me ouve
Não me escuta
Não me capta
Não me sabe
Não absorve

Você não sabe quem eu sou
Porque eu não sou
O que você sonhou

Você não me queria
Por isso sou teu desgosto
Por isso você morde as bochechas

O nome que você me deu
Eu não quero
Não quero
Esse corpo
Que você me deu
Ainda que eu quisesse
Eu tentei querer
Mas essa não sou eu

Seria menos desgosto pra você
Se eu não tivesse nascido
Eu sei que você tentou
Me abortar
E acha que não conseguiu
Mas você me aborta todos os dias
Desde a vida toda
Você não me deixa nascer
Não me deixa ser
Eu

Mas os seus olhos
Estão em mim
Mesmo assim
Você me nega
Não admite
Tem vergonha de mim
E eu não quero ser nada sua
Nunca fui

Você nunca disse
Que me ama
Eu minto que não me importo
Sempre quis
Que você me sonhasse
Reconstruí essa história mil vezes
Pra ver se doía menos
Mas dói cada vez maior

É uma pena
Eu te decepcionar tanto
Só por ser quem sou
Eu só posso ser o que sou

Dizem que
O teu amor
É o único verdadeiro
Mas se isso existe
Não sinto
Nunca senti

A verdade é que
Nós não nos conhecemos

Me desculpa
Por não ser
Quem você sempre sonhou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário