terça-feira, 22 de setembro de 2015

"Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti."

Quando você foi embora, fez muito frio. Fez tanto frio que eu achei que fosse morrer. Daí as estações mudaram e as folhas caíram, então senti o sol subindo, sem a minha permissão, como quem diz que é hora de me aquecer.
Você me disse "se eu morrer, quero que você viva" e eu passei esse tempo todo pensando "como vou viver sem você, se você é minha vida?", mas olha, eu estou tentando. Você sabe o peso da tentativa pra mim, não sabe?
Eu - estou - tentando.
As tentativas fracassadas agora me soam  como vida. Não é maravilhoso? Espero que seja. Uma derrota de cada vez. Derrotada, sorrio: eu consegui tentar de novo. Que derrota conceber uma tentativa como um triunfo. Feliz derrota.
Venho trabalhando a culpa, respirando menos pesado. Acho que estou reagindo. É o que você queria? Porque estou fazendo por mim.
Eu queria te sorrir e ouvir tua voz, pra te contar que alguém anda me fazendo bem. Pra contar que estou conseguindo manter minhas atividades, que passei uma semana inteira sem chorar... Hoje chorei. Falei de você (depois de cinco meses de absoluto silêncio) e chorei.

Amanhã é outro dia.

As estações continuam mudando e sinto a vida dizer "assim seja". Eu queria dizer que te amo, mas eu não quero. "Eu te amo", escrevi quatro vezes. Apaguei.

Onde quer que você esteja, que f i q u e bem.

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