segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Debaixo dos seus cílios.

Todos esses dias em que eu tenho percebido o quanto temos sofrido, todos esses dias em que eu sento no sofá e te olho e você ri de algo que eu não vejo a mínima graça, todos esses dias em que vejo seus olhos, tão meus, me encarando, espertos, em todas essas vezes quando você parece carregar uma chave escondida na manga, eu sinto um aperto no peito. Um aperto que me diz "aproveita, está acabando", um aperto que tritura e tritura alguma coisa aqui dentro que eu nem sabia que existia. Eu não diria que é medo de te perder, pois eu nunca te senti perto, mas algo me comove no nosso contato, algo me faz doer quando você chora, algo me faz levantar as sobrancelhas quando percebo teu sorriso forçado só pra eu não ficar sem graça, algo me faz te dar o que eu mesma não tenho. Será que é isso que corre em minhas veias? Eu não sei.
Ainda lembro de tudo que você fez, de tudo que você não fez, ainda choro porque você não estava lá, porque você nunca esteve aqui, me entristeço da sua vergonha, odeio querer ser o que te orgulha, odeio ainda desejar o teu reconhecimento, odeio estar me atentando a cada milímetro da tua companhia. Ainda sinto falta do teu "eu te amo" e ainda digo que ficou bom quando não ficou, ainda desejo morrer por você não ter sido minha terra, mas talvez você só não pudesse. Você talvez não possa.
O teu "eu te amo" não veio, nunca veio, se ele existe, não sei.
Tenho tantas coisas pra te mostrar, mesmo sabendo que você não se importa, que não quer ver, que não entende, que vou me frustrar, que vou odiar, que vou amaldiçoar isso tudo.
Tem tanta coisa pra viver ainda, eu sei que tem, embora eu viva querendo morrer, eu queria tanto poder te provar que tudo pode ser bem mais que isso. Eu sei que pode. Sei que você não acredita em mim, sei que não me acha capaz, que me acha ridícula, que se pudesse escolher, escolheria diferente mas olha, amanhã teremos uma noite alegre, como têm sido as últimas terças-feiras, estaremos embreagadas com uma dessas alegrias banais e bem no meio disso tudo, eu vou me entristecer, vou sim, bem no meio, vou ver teu sorriso e alguma coisa vai me pesar, eu sei que vai, sei que tem pesado, eu te sinto desligando e ficando cada vez mais fraca e distante, devagar e devagar, desbotando e desbotando, mas, por favor, não vai ainda. Eu não estou pronta. Sei que você diz que precisa, sei que finge que não tem medo, que diz que é natural. Mas não agora. Por favor, não agora. Me deixa dizer isso por mais um pouco de tempo, talvez por muito tempo, talvez eu diga pra sempre, eu achei que estava pronta mas não estou, eu achei que podia mas não posso. Eu não posso e você não pode, não assim, não agora, por favor. Está tudo piorando e difícil, eu sei, mas eu apenas não posso suportar. Por favor, não vá embora.

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