sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Acordo todos os dias chorando, vou dormir todos os dias chorando, eu não aguento mais, amor, eu não aguento mais. Estou tentando com toda a minha vida, eu juro que estou, mas eu não consigo, eu simplesmente não consigo. Eu perdi tudo, continuo perdendo, todos os dias, a desordem me consome, dói e dói e não para, não para. Eu continuo doendo, continuo batendo o joelho na cama todos os dias, porque sou fraca, é por isso que rasgo minhas costelas, é por isso que tudo desmorona e continua desmoronando, é por isso que eu não consigo mais viver, é por isso que vomito todo dia, que vomito tudo isso, porque não comporta, amor, não dá, não cabe em mim, amor, você me convenceu que eu poderia, quando eu não posso, sou ridícula e incapaz.
Eu não tenho mais razão, eu nunca tive, você sabe, me desculpa, mas eu não consigo, eu queria, mas não posso, eu apenas não posso mais. Você me perdoa?
A minha vida não segue, não há nada pra seguir. Eu não sigo, eu não sou, não tenho vida, sou um espaço vazio, não sei mais o que fazer, não sei mais falar, não consigo ir adiante, não consigo voltar, não posso ficar parada porque o chão já não existe, estou caindo, voltando lá praquele fundo, de onde eu nunca saí, lá onde você me encontrou.
Eu não posso suportar pensar nas paredes brancas e no piano do hall, não aguento saber que os lençóis são alvos, sinto o gosto de todos os comprimidos que eu não tomo, me entristeço pelo jardim que é lindo, mas tão morto, quero morrer por todas as borboletas que não vimos e porque esse lugar não tem cheiro. Não sei onde você está, mas não sei nem onde eu estou, não sei o que a vida reserva, mas amor, eu não quero. Me desculpa, eu não posso. Eu não consigo mais. Achei que pudesse ter esperança, que pudesse esperar, que acreditar em coisas melhores me faria prosseguir, mas não faz. Eu sou pequena e fraca, eu sou um barquinho de papel e a tempestade me devastou, eu não sei nadar, eu tenho medo, eu tenho muito medo e o medo grita, grita, grita teu nome, anuncia o fim e eu me calo, eu emudeço, ensurdeço, fico à deriva, me afogo, amor, como eu pude mergulhar se sempre tive medo de mar? Eu mergulhei por você e agora estou morrendo, me desculpa por ser esse fracasso, me desculpa por não conseguir te salvar, eu não consigo me salvar, mas não poderia ser diferente, amor, não poderia, eu sempre soube, eu tentei te avisar, eu tentei ir embora, mas eu não consegui, eu não consegui ir embora porque os teus olhos me olhavam, eles me pediam pra ficar, eu prometi, eu sei, prometi que não ficaria sozinha nessa vida enquanto fôssemos nós, mas agora já não sei se existimos, eu não sei da gente, porque eu não sei saber nem de mim, porque eu só sei desistir de tudo, mas eu não consigo deixar, amor, não consigo apagar você, não consigo apagar todas as noites difíceis, não consigo apagar a paz que você me deu, não consigo apagar teu abraço, a tua companhia, a única companhia que fez eu não me sentir sozinha no mundo. Sinto cada vez mais que você é minha casa, mas eu não sei voltar, não sei se há pra onde voltar, já nem sei se você existe, estou enlouquecendo, me desculpa, eu saí dos eixos, mas não poderia ser diferente, porque eu sou essa droga que sempre dá errado, eu corro e corro, meus pés estão cansados, eu preciso parar, eu não consigo, ainda que corra, estou parada, imóvel, estagnada, nada acontece, nada muda, não clareia, eu só não posso mais, é pesado demais, amor, me perdoa, me perdoa, está tudo gritando, doendo, doendo, doendo muito. As sensações ruins estão altas demais, elas me matam com a repugnância com que se esmaga um inseto, por mais que eu tente, não funciona, eu não me sinto bem, não me sinto melhor, é uma luta incansável, estou definhando, definhando, vejo meu fim, mas meu fim também já foi, estou muito além do que posso, estou tentando com toda a minha vida, eu juro, mas nada é suficiente, não é, não dá, não adianta, me desculpa, sem você, amor, eu não consigo.

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