sexta-feira, 28 de agosto de 2015


Não consigo te ver com clareza,

você costumava ser minha certeza,

mas a verdade é que você nunca foi

mesmo

ninguém.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A leveza do que somos.

Um pouco antes de adormecer, te desejei bem perto,
em mim.

Quando dormi, recebi meus fantasmas
e eles me disseram que eu sou sozinha.
Diante do meu pesadelo, chorei,

mas quando acordei, você me olhou

e disse

"eu estou aqui",

assim, os fantasmas já não me soavam tão assustadores,
a noite não me parecia tão escura

e teus olhos me pareciam o mundo.

Tudo pesa,
mas você não.

Você é leve.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Acordo todos os dias chorando, vou dormir todos os dias chorando, eu não aguento mais, amor, eu não aguento mais. Estou tentando com toda a minha vida, eu juro que estou, mas eu não consigo, eu simplesmente não consigo. Eu perdi tudo, continuo perdendo, todos os dias, a desordem me consome, dói e dói e não para, não para. Eu continuo doendo, continuo batendo o joelho na cama todos os dias, porque sou fraca, é por isso que rasgo minhas costelas, é por isso que tudo desmorona e continua desmoronando, é por isso que eu não consigo mais viver, é por isso que vomito todo dia, que vomito tudo isso, porque não comporta, amor, não dá, não cabe em mim, amor, você me convenceu que eu poderia, quando eu não posso, sou ridícula e incapaz.
Eu não tenho mais razão, eu nunca tive, você sabe, me desculpa, mas eu não consigo, eu queria, mas não posso, eu apenas não posso mais. Você me perdoa?
A minha vida não segue, não há nada pra seguir. Eu não sigo, eu não sou, não tenho vida, sou um espaço vazio, não sei mais o que fazer, não sei mais falar, não consigo ir adiante, não consigo voltar, não posso ficar parada porque o chão já não existe, estou caindo, voltando lá praquele fundo, de onde eu nunca saí, lá onde você me encontrou.
Eu não posso suportar pensar nas paredes brancas e no piano do hall, não aguento saber que os lençóis são alvos, sinto o gosto de todos os comprimidos que eu não tomo, me entristeço pelo jardim que é lindo, mas tão morto, quero morrer por todas as borboletas que não vimos e porque esse lugar não tem cheiro. Não sei onde você está, mas não sei nem onde eu estou, não sei o que a vida reserva, mas amor, eu não quero. Me desculpa, eu não posso. Eu não consigo mais. Achei que pudesse ter esperança, que pudesse esperar, que acreditar em coisas melhores me faria prosseguir, mas não faz. Eu sou pequena e fraca, eu sou um barquinho de papel e a tempestade me devastou, eu não sei nadar, eu tenho medo, eu tenho muito medo e o medo grita, grita, grita teu nome, anuncia o fim e eu me calo, eu emudeço, ensurdeço, fico à deriva, me afogo, amor, como eu pude mergulhar se sempre tive medo de mar? Eu mergulhei por você e agora estou morrendo, me desculpa por ser esse fracasso, me desculpa por não conseguir te salvar, eu não consigo me salvar, mas não poderia ser diferente, amor, não poderia, eu sempre soube, eu tentei te avisar, eu tentei ir embora, mas eu não consegui, eu não consegui ir embora porque os teus olhos me olhavam, eles me pediam pra ficar, eu prometi, eu sei, prometi que não ficaria sozinha nessa vida enquanto fôssemos nós, mas agora já não sei se existimos, eu não sei da gente, porque eu não sei saber nem de mim, porque eu só sei desistir de tudo, mas eu não consigo deixar, amor, não consigo apagar você, não consigo apagar todas as noites difíceis, não consigo apagar a paz que você me deu, não consigo apagar teu abraço, a tua companhia, a única companhia que fez eu não me sentir sozinha no mundo. Sinto cada vez mais que você é minha casa, mas eu não sei voltar, não sei se há pra onde voltar, já nem sei se você existe, estou enlouquecendo, me desculpa, eu saí dos eixos, mas não poderia ser diferente, porque eu sou essa droga que sempre dá errado, eu corro e corro, meus pés estão cansados, eu preciso parar, eu não consigo, ainda que corra, estou parada, imóvel, estagnada, nada acontece, nada muda, não clareia, eu só não posso mais, é pesado demais, amor, me perdoa, me perdoa, está tudo gritando, doendo, doendo, doendo muito. As sensações ruins estão altas demais, elas me matam com a repugnância com que se esmaga um inseto, por mais que eu tente, não funciona, eu não me sinto bem, não me sinto melhor, é uma luta incansável, estou definhando, definhando, vejo meu fim, mas meu fim também já foi, estou muito além do que posso, estou tentando com toda a minha vida, eu juro, mas nada é suficiente, não é, não dá, não adianta, me desculpa, sem você, amor, eu não consigo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Confissão.

Eu faço mil coisas num dia, mas a tua sombra está em tudo.
Quero dividir meus pensamentos com você, quero compartilhar minhas vitórias insignificantes com você. Se eu visito um lugar qualquer, se presencio qualquer coisa que me causa alegria ou tristeza, se eu sorrio, só sinto vontade de te dizer porquê. No final do dia, eu penso o quanto você teria gostado, o que teríamos feito, como teria sido.
Olha, eu tenho conseguido coisas pequenas e tido percepções enormemente importantes pra mim, e eu queria tanto tanto contar pra alguém. Pra você. Eu poderia contar pros meus amigos que consegui não um, mas dois papéis e que um deles é na peça que eu queria, mas eu não contei. Ninguém me perguntou, mas também ninguém tinha como saber. Eu poderia contar como tenho me sentido ou porquê os velhinhos das rodoviárias me encantam, eu podia sim ter contado mas meu bem, ninguém é você.
Eu me sinto terrivelmente sozinha e isso é tão injusto. Com tantas companhias possíveis, você é a única que serve. É a única que realmente está perto. Você ainda é meu primeiro e último pensamento, ainda é o motivo do meu canto, é pra você que eu ainda guardo meu coração.
Você veio e estragou o resto do mundo. Nada tem graça sem você. Mas você foi embora. E agora?
Eu sempre me recuperei, sempre deixei o que soava alto guardado em algum lugar, supostamente esquecido. Mas quando se trata de você, é tão agudo que me estoura os tímpanos. É tão agudo que eu não posso conter. Se abafo com as mãos, passa entre os meus dedos e logo não tenho dedos ou mãos ou tímpanos, não posso te conter nem com toda a minha vida.
Por que eu sinto tanto sua falta?

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Debaixo dos seus cílios.

Todos esses dias em que eu tenho percebido o quanto temos sofrido, todos esses dias em que eu sento no sofá e te olho e você ri de algo que eu não vejo a mínima graça, todos esses dias em que vejo seus olhos, tão meus, me encarando, espertos, em todas essas vezes quando você parece carregar uma chave escondida na manga, eu sinto um aperto no peito. Um aperto que me diz "aproveita, está acabando", um aperto que tritura e tritura alguma coisa aqui dentro que eu nem sabia que existia. Eu não diria que é medo de te perder, pois eu nunca te senti perto, mas algo me comove no nosso contato, algo me faz doer quando você chora, algo me faz levantar as sobrancelhas quando percebo teu sorriso forçado só pra eu não ficar sem graça, algo me faz te dar o que eu mesma não tenho. Será que é isso que corre em minhas veias? Eu não sei.
Ainda lembro de tudo que você fez, de tudo que você não fez, ainda choro porque você não estava lá, porque você nunca esteve aqui, me entristeço da sua vergonha, odeio querer ser o que te orgulha, odeio ainda desejar o teu reconhecimento, odeio estar me atentando a cada milímetro da tua companhia. Ainda sinto falta do teu "eu te amo" e ainda digo que ficou bom quando não ficou, ainda desejo morrer por você não ter sido minha terra, mas talvez você só não pudesse. Você talvez não possa.
O teu "eu te amo" não veio, nunca veio, se ele existe, não sei.
Tenho tantas coisas pra te mostrar, mesmo sabendo que você não se importa, que não quer ver, que não entende, que vou me frustrar, que vou odiar, que vou amaldiçoar isso tudo.
Tem tanta coisa pra viver ainda, eu sei que tem, embora eu viva querendo morrer, eu queria tanto poder te provar que tudo pode ser bem mais que isso. Eu sei que pode. Sei que você não acredita em mim, sei que não me acha capaz, que me acha ridícula, que se pudesse escolher, escolheria diferente mas olha, amanhã teremos uma noite alegre, como têm sido as últimas terças-feiras, estaremos embreagadas com uma dessas alegrias banais e bem no meio disso tudo, eu vou me entristecer, vou sim, bem no meio, vou ver teu sorriso e alguma coisa vai me pesar, eu sei que vai, sei que tem pesado, eu te sinto desligando e ficando cada vez mais fraca e distante, devagar e devagar, desbotando e desbotando, mas, por favor, não vai ainda. Eu não estou pronta. Sei que você diz que precisa, sei que finge que não tem medo, que diz que é natural. Mas não agora. Por favor, não agora. Me deixa dizer isso por mais um pouco de tempo, talvez por muito tempo, talvez eu diga pra sempre, eu achei que estava pronta mas não estou, eu achei que podia mas não posso. Eu não posso e você não pode, não assim, não agora, por favor. Está tudo piorando e difícil, eu sei, mas eu apenas não posso suportar. Por favor, não vá embora.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Meu amor,
se eu morrer em breve,
preciso que saibas
que te amei
até meu último segundo de vida.

Preciso que saibas
que
és o amor da minha vida.
O único amor
da minha vida.

Preciso que saibas
que eu nunca desisti
de ti,
que nunca desisti
da gente.

Preciso que tu saibas
que se aguentei desse tanto,
foi por ti.
Que se eu continuei tentando,
foi por ti.

Mas

se eu não conseguir,
preciso que saibas
que te esperei
com a força de quem luta pela vida
e que tentei
mais do que eu achava que podia.


Eu te amo.