segunda-feira, 29 de junho de 2015

Heroína.

Naquela noite, tudo doía muito. Tudo que sempre doeu, doía demais. Desejava o abraço que cuidava, mas não havia abraço ou cuidado. Precisava se resgatar daquilo tudo. Precisava prover sua própria salvação. Então desejava o sono mais do qualquer coisa embora sempre tivesse pesadelos e sensações horríveis que a faziam acordar pior do que estava quando dormiu.
Entre dormir e acordar, já não sabia qual pesadelo era pior.
Teve algumas idéias - duas linhas horizontais, uma cabeça no forno, uma estômago rasgado, uma ponte alta o suficiente, um caminhão em alta velocidade, meia dúzia de comprimidos bem combinados, uma jugular aberta, um surto seguido de mordidas insistentes, um litro de gasolina e um fósforo aceso, uma onda violenta e um peso no pé, um deitar-se nos trilhos do trem, um secador ligado dentro da banheira cheia, uma cabeça batendo com violência até romper o vidro, deitar-se de barriga pra cima depois de uma injeção e engasgar com o próprio vômito - mas a melhor delas, parecia irresistível.
Sentir-se bem, livrar- se de todas as dores, tocar o paraíso, salvar a noite, salvar o corpo, salvar a mente, se salvar. Lembrou-se do juramento de que nunca mais faria, mas essa era mesmo a última vez. Ela só precisava descansar.
Sete gramas.
Redenção.

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