terça-feira, 12 de maio de 2015

Descompasso.

Três dias de insônia.
A mente, tão acelerada que nem consigo organizar os pensamentos. O corpo, depressivo, mais uma vez. Tudo misturado. Tudo sucumbindo. A falta toda, a energia toda, a falta de energia total. Tudo de novo. De novo, de novo e de novo. A falta de motivação pela vida, pelo simples motivo de que nada muda nunca. Não importa o quanto eu tente, vai ser sempre assim.
Daí todo mundo dorme, todo mundo tem seus afazeres e eu, afundando. Durante alguma parte do dia finjo que está tudo bem, finjo que não sei muito bem onde isso vai dar. Então vou ler, ouvir música, tentar fazer qualquer coisa que o corpo deixa, que a energia deixa. Ou não fazer nada. Ficar horas, na cama, fritando a cabeça em mil coisas. E os pensamentos ruins. Muitos pensamentos ruins, rápidos e muito ruins. E a coragem que cresce. E a dor. Porque remédios não curam isso.
Em alguns momentos, me esforço pra sustentar algum pensamento leve. Penso na surpresa boa que poderia ser o futuro, no amor. Mas daí ouço a terapeuta dizendo que "acordar com uma pessoa e dormir com outra" desgasta qualquer relação. E machuca.
Eu não queria ser assim, mas só sei ser o que sou, só posso ser o que sou. Só, más notícias: instabilidade e solidão. Uma terrível solidão. Porque ninguém quer  acompanhar esse ritmo, ninguém pode.
Então penso como pode alguém viver assim, porque isso não é vida. Mas acontece que não existe outro modo. Não pra mim.
Viver é uma perda.

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