sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Estou passando por uma fase de bloqueio.

Hoje perguntei para a minha professora de língua portuguesa, se "escrever bem" é questão de técnica ou de talento. Pergunta tola, sim. Perguntei porque queria ouvir que se estudasse – mesmo que bastante – poderia ser realmente convincente. Ela respondeu que era uma questão do processo que vem antes da escrita, do cognitivo. Articular pensamentos. O que acontece antes do papel, organizar as idéias. Pois bem, estou vivendo um bloqueio.

Eu já soube articular pensamentos. Mas o que se diz quando não se tem nada a dizer?

Não estou falando da escrita (acontece que tudo ultimamente anda me impulsionando pra uma crise de desespero silencioso direcionado e bem convicto, desses que nem mudam a expressão dos olhos), claro que não.

Nesse momento o amontoado de coisas soltas e integradas pressiona e... Torna-se nada.

Exatamente. Nada.

É como se tanta coisa, não formasse coisa alguma.

Não é aquele nada em branco, de paz. É um nada pesado. Um nada de “tanta coisa que não faz forma”. Parece que os acontecimentos, a rotina, os amigos, o amor, não falam comigo. É como um trem passando por suas estações: eu, a maquinista.

Não faço mais do que a rota nem menos que o esperado. Faço o que tenho que fazer, carrego o que preciso carregar até onde e enquanto preciso. Cumpro minhas obrigações.

Bloqueio pode ser bom. Me faz parecer fantasma. Mas fantasma que não assusta ninguém. Me transforma em escrava de mim. Não da parte do bel prazer. Escrava daquela parte de nós que faz com que levantemos de manhã em dia frio. Aquela que te empurra pra vida social. Daquela que diz que tens que ser bom filho, bom pai, bom cidadão, bom trabalhador, bom companheiro. Daquela que te diz que “tens que” um monte de coisa.

Eu não “tenho que” nada. Ninguém “tem que” nada. Entretanto, nós sempre “temos que" tanta coisa...

Meu bloqueio não me deixa desistir (meu porque se instalou, folgado, e agora já o adotei). Meu bloqueio contém meus impulsos. O bloqueio me prende na minha liberdade. Viva ao bloqueio que me impede de criar, de intensificar, de ser qualquer coisa além do que devo.

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