segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Reino da Nostalgia

Deitada em minha cama, ouço os barulhos minuciosos do silêncio. Aqui, presa nesse mundo, perdida nessa solidão, sendo guiada por essa nuvem negra acima de minha cabeça, estática e sem ação.
Nesse mundo não há oxigênio e nele sequer há movimento. Tudo é escuro e não há cores, nem vida. Estou à beira de um abismo e posso sentir o vento frio do abandono. Aqui não há dia, as trevas são eternidade. Não há música, sorrisos, nem mesmo sabores ou abraços. Há apenas espaços vagos, há falta de amor e inexistência de esperança. Aqui, nada tem brilho e eu já não consigo ficar de pé.
Abrir os olhos e contemplar o vazio do meu ser é uma dolorosa rotina, a tristeza é minha fiel companheira e a amargura fala aos meus ouvidos, me cobrando uma razão para continuar acordada.
Olho no espelho mas já não tenho reflexo, meus lábios estão vedados e meu corpo imóvel, mas isso não me traz o mínimo espanto ou desespero. O descaso no meu olhar cansado e o vazio do meu coração são a impressão do desgosto, da dor, do sofrimento, de tudo de ruim e de pior que habita minha alma. Se é que ela ainda existe.
Permaneço inerte. Tudo que eu tenho é nada. Eu desisti, me rendi, estou entregue à esse sentimento malévolo que reina tão predominantemente nesse mundo. Mundo que devorou minha lúcidez, mundo do qual sou a única habitante.
A atmosfera está me matando lentamente, como que se deliciando com meu martírio. Atmosfera pesada, criada especialmente para me sufocar.
A nostalgia é a estrela do meu mundo escuro e já não é difícil reconhecer e aceitar minha infelicidade.
Morrer não faz diferença pois eu não existo. Ninguém sentirá minha falta, porque não há ninguém.
Mas a minha causa é uma razão digna: não sou capaz de suportar o meu próprio peso. Esse fardo sempre foi bem mais pesado do que eu posso suportar.
Ainda com todos os fatores, a verdade sempre será que eu não resisti a uma overdose de mim.

(2010)

Um comentário:

  1. Me sinto bem assim, desde um bom tempo, e fica mais intenso em algumas crises. Belo texto, gostei mesmo. ☺

    ResponderExcluir