segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Regresso

Proponho um brinde. Celebraremos a minha inexistência.
Tudo é vazio, tudo é nada sem você.
É muito triste não te ter ao meu lado e assim, não viver os dias, afogada nessa dor que só me permite subsistir.
Essa dor que não passa, que não dá uma trégua para que em mim, talvez, acenda um pequeno ponto de esperança.
Tem sido difícil desde que você se foi. Sua falta não me deixa respirar. Sinto-me sufocada sem o seu fôlego.
Os dias passam e apenas passam. É como se eu não estivesse aqui. Estou adormecida, mas com o seu regresso renascerei.
Eu te amo. Sim, eu te amo. Nada faz sentido se eu não posso te sentir.
Volte, meu amado. Volte para os meus braços. Corra na minha direção, olhe nos meus olhos, devore meus lábios e penetre no mais profundo da minha alma.
Eu te amo. O teu retorno é o meu maior anseio.
Estou entregue, completamente apaixonada e perdida.
Por que demora se o perfeito amor te espera?
Por favor, não me abandone. Não me deixe morrer aqui na escuridão.
O Sol não brilha e as estrelas escureceram. Os peixes morreram e os pássaros já não cantam. O mar se converteu em sangue e o céu despencou de seu firmamento. O riso cessou e até a música soa como pranto. Em nada mais se acha beleza senão no seu lindo rosto.
Meu hospedeiro é frio sem o calor do teu corpo e a chama ardente do teu coração. Meu semblante é abatido e até os meus ossos secaram. Não resta nada de proveitoso em mim.
Volte e me devolva a vida, o ar, o chão.
Você dominou o meu mundo, o seu nome está em todos os lugares. Estou doente. Doente pelo seu toque. Estou viciada em você e essa falta vai acabar me matando.
Preciso das suas mãos fortes e da tua pele macia.
Preciso te abraçar e sentir teu cheiro.
Preciso do teu olhar malicioso e da sua séria expressão. Preciso das suas palavras firmes e do teu lindo sorriso.
Preciso da tua voz grave e do teu beijo de boa noite. Preciso do teu abraço que me faz sentir segura. Preciso acordar e saber que é o teu corpo que envolve o meu.
Suplico que você saia do anonimato e venha me proteger. Me acorde deste terrível pesadelo onde você é feito apenas de sonhos, devaneios e lembranças minhas.
O meu coração será para sempre o mais lindo troféu na sua estante, ainda que não muito valioso, foi guardado para você com a mais fervorosa devoção.
Você é tudo que eu tenho e tudo que eu queria ter. Você é o meu maior sonho. Em você está toda a glória, sucesso e satisfação que eu jamais tive.
O teu nome está gravado em minha alma com gozo, louvor e aprovação - ela também te pertence - e ele simboliza na minha essência, o amor, o que há de mais belo e puro.
Eu te amo. Por isso te venero.
Qualquer memória do que eu era antes de você (se é que o era) foi apagada. Minha existência se resume no seu reflexo.
Você me consumiu. Nada mais sou do que o meu amor por você.
Todo meu eu foi criado para você. Tudo que se denominava meu, te foi dado.
Cada partícula do meu ser grita, implorando o teu retorno.
Apenas volte e destrua tudo que em mim, ainda exista sem você.

(2010)

O Reino da Nostalgia

Deitada em minha cama, ouço os barulhos minuciosos do silêncio. Aqui, presa nesse mundo, perdida nessa solidão, sendo guiada por essa nuvem negra acima de minha cabeça, estática e sem ação.
Nesse mundo não há oxigênio e nele sequer há movimento. Tudo é escuro e não há cores, nem vida. Estou à beira de um abismo e posso sentir o vento frio do abandono. Aqui não há dia, as trevas são eternidade. Não há música, sorrisos, nem mesmo sabores ou abraços. Há apenas espaços vagos, há falta de amor e inexistência de esperança. Aqui, nada tem brilho e eu já não consigo ficar de pé.
Abrir os olhos e contemplar o vazio do meu ser é uma dolorosa rotina, a tristeza é minha fiel companheira e a amargura fala aos meus ouvidos, me cobrando uma razão para continuar acordada.
Olho no espelho mas já não tenho reflexo, meus lábios estão vedados e meu corpo imóvel, mas isso não me traz o mínimo espanto ou desespero. O descaso no meu olhar cansado e o vazio do meu coração são a impressão do desgosto, da dor, do sofrimento, de tudo de ruim e de pior que habita minha alma. Se é que ela ainda existe.
Permaneço inerte. Tudo que eu tenho é nada. Eu desisti, me rendi, estou entregue à esse sentimento malévolo que reina tão predominantemente nesse mundo. Mundo que devorou minha lúcidez, mundo do qual sou a única habitante.
A atmosfera está me matando lentamente, como que se deliciando com meu martírio. Atmosfera pesada, criada especialmente para me sufocar.
A nostalgia é a estrela do meu mundo escuro e já não é difícil reconhecer e aceitar minha infelicidade.
Morrer não faz diferença pois eu não existo. Ninguém sentirá minha falta, porque não há ninguém.
Mas a minha causa é uma razão digna: não sou capaz de suportar o meu próprio peso. Esse fardo sempre foi bem mais pesado do que eu posso suportar.
Ainda com todos os fatores, a verdade sempre será que eu não resisti a uma overdose de mim.

(2010)

Dormir. Eu vou dormir. Porque fui traida, porque eles me trairam e enganaram.
Eles vieram, eles foram e voltaram. Ninguém permaneceu. Por isso eu vou dormir. Porque estou sozinha.
Eu vejo o mover das bocas, enxergo as sombras, sinto o frio. Mas não há ninguém. Nada se move, nada muda, não clareia. E por isso eu vou dormir. Chorar depois dormir. Porque é o que resta. Resta dormir. Para sempre. Silenciar e me render. Desistir. Não existir.
Estou só, isso me mata. Então eu vou chorar e adormecer mais uma vez. Sem sonhos, sem sonhos e sem dramas. Sem expectativa, sem nada. Vazio. Vazio de tudo. Porque já não importa quem vai, quem foi ou quem fica; eles me enganaram e por isso eu vou dormir.

Abstinência.

Eu preciso de um tempo. Preciso de tempo para pensar. Para não pensar. Preciso ficar sozinha.
Sinto que vou te enlouquecer. Uma overdose te matará então tome mais uma dose. É seu destino morrer por mim.
Eu sei que preciso me afastar mas acima disso, te preciso.
Não quero te fazer mal, juro que não. Acontece que sem você, eu passo mal.
Estou te sufocando, eu sei. Mas você tem sido meu ar.
Me desculpe, te quero por perto. Me desculpe! Não consigo viver.
Vamos lá! Mais uma dose! Mais uma dose de nós. Será rápido e indolor.
Vamos lá! Me dê um pouco desse amor. Ele fere mas é tão bom.
Chega de ressentir o passado. Vamos, só mais uma dose.
Eu preciso de você.
Vamos construir um novo mundo, baby. Estou viciada, não consigo parar.
Eu quero estar só, só que ao contrário, eu quero você.
O que eu mais quero é você.
Então que o mundo se acabe, porque eu me perdi pra te ter.
O teu gosto é bom e estou dependente. Vamos, até a última dose.

(2010)

sábado, 10 de novembro de 2012

Eu olhava mas nada via. Me aproximava mas não sentia. Era eu, fora de mim.
Por acaso te vi, com aquele sorriso largo - o mais lindo de todos. Resisti.
Tentei me livrar, esquecer, apagar:

Continuava ali.

Preso em minha mente, me deixou quase doente: era a perfeição impressa em forma de gente.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Incertezas.

Outro dia, estava eu na estação da Luz esperando o trem para ir trabalhar, quando no meio daquela multidão, uma moça me chamou a atenção.
Ela não era bonita nem bem vestida, nem me parecia saudável ou simpática. Era séria, cara amarrada. Expressão sombria. Parecia até personagem de filme de terror.
Fiquei receosa em observá-la, parecia tão mal. Magrela, meio curvada, a cara da fraqueza. Pele bem branca, aparência de morta, cabelo bem preto, opaco. Talvez ela viesse de algum enterro...
Algo horroroso cercava aquela garota. Havia uma nuvem negra acima de sua cabeça e era quase visível.
Mais alguns minutos esperando o trem, eu a fitava mais fixamente. Fiquei pensando o que levava aquela jovem àquele estado. Tão triste, evidentemente doente. Mil pensamentos me invadiram. Criei mil vidas e mil desgraças para cada vida. "Que terrível! Que dó!" - O barulho que anunciava a chegada do trem calou meus pensamentos.
O trem finalmente abriu as portas e lá estava a garota, caminhando depressa. Notei algo diferente em suas costas:
Tinta preta (que parecia ainda mais escura ressaltada em sua pele pálida), letras grossas e redondas. Três palavras: "tudo vai passar".
Tudo-vai-passar. Me atingiu como um soco.
Talvez ela estivesse suportando aquilo com todas as forças e quem sou eu para julgá-la? Talvez aquela fosse sua cruz. E eu? Posso ser a garota triste do trem amanhã. Será que eu, justamente eu, que pensei mil coisas a respeito da garota, suportaria? Percebi que diferente de mim, a garota de pele branca e cabelos negros tinha a convicção de que toda a dor passaria e logo logo estaria bem.
Envergonhada, abaixei a cabeça e entrei no outro vagão, onde percebi que uma moça com olhos espertos me olhava evidentemente com pena da minha perturbação. Eu não teria uma tatuagem para fazê-la perceber mas talvez um dia, ela também aprenda: cada um suporta - ou não - como pode.
As portas se fecharam.

Eu sou vazia.
Isso me enche.
Ninguém compreende
Minha escuridão.

"Eu sou vazia"
- digo em vão.
Ninguém conhece
Meu coração.

Eu sou sozinha.
Como explicar?
Ninguém acompanha
O meu andar.

Sozinha e só:
Essa sou eu.
Levando a vida
Que a vida me deu.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Se for assim, eu não quero.

Eu poderia começar garantindo uma bela história, mas seria mentira. Poderia também dizer que sou dotada de grande criatividade, mas também seria mentira. Criatividade tem a ver com otimismo e otimismo, definitivamente, não tem nada a ver comigo.
Pois bem. As coisas não são como sonhamos. Não existe príncipe encantado, muito menos pote de ouro no fim do arco-íris. Aliás, arco-íris? Se você teve a sorte de ver um algum dia, vai lembrar também que ele desaparece muito rápido, antes mesmo de você PENSAR onde ficava o início dele. A vida é assim.
As coisas nunca dão certo e esse papo de que "no fim tudo se resolve" é furado. No fim, você sofre por estar acabando, não aceita e fica frustrado se perguntando o que fez de errado; querendo voltar ao começo ou ao meio, ou àquela época em que você "era feliz e não sabia".
Desde criança você ouve que deve vencer e ser alguém na vida. Mas quem disse que o soldado aqui quer ir à guerra? Quem me entitulou um combatente? Ninguém pediu minha opinião.
E se eu não quiser vencer? E se eu quiser viver em paz? Quem começou esse maldito conflito afinal? Eu não. E se eu não quiser fazer parte disso? É. E se eu não quiser? Não quero.
O show não pode parar então comece a dançar. Mostre para eles. Desista da sua vida, querido, porque seus valores e ideais pouco importam.
Use muito brilho e ligue os holofotes. Beleza e alienação, é isso que o mundo pede. Então que assim seja.
Repito: desista. Da sua vida, dos seus sonhos e objetivos. Aprenda a ser obscuro e a jogar sujo. É assim que se chega longe. Todos terão orgulho de você, mesmo que se sinta infeliz. Afinal, a infelicidade é a parte essencial do sucesso.
Sabe a luz no fim do túnel? Você não precisa dela. As sombras são mais atraentes, mais convenientes e estará cansado demais para pensar nisso.
As aparências não enganam. Tudo é exatamente como parece ser. Assim, tão fútil e superficial. É assim que tem que ser. É assim que se vence a batalha. É desse jeito que se deve desistir.
Não se preocupe, você acostuma. Acaba esquecendo de quem era, de quem te ajudou e o que realmente importa perde a importância. O passado passa e você avança em direção ao nada.
A vida é sua e apesar de não ser por conta da morte, você tem sim o direito de desistir dela: siga esse caminho.
Ignore seus valores, seja corrupto, desfaça dos seus amigos (vínculos só atrapalham), finja e torne-se inabalável.
A realidade é feia. Esse mundo é plástico. Boa sorte nesse teu caminho. Se for assim, eu não quero.

(2010)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Banalidades, pt. 2

Já estava escuro quando resolveu sair.
Ela decidiu que tinha que fazer algo: levantar daquela cama, arrumar aquela cara e sacodir a poeira que deixava sua alma tão pesada. Fantasiou que o dia tivera sido diferente de todos os outros de sua vida.  Tinha pensamentos sedentos de coisas novas e uma ânsia de sair daquele lugar -  ânsia que ela conhecia muito bem.
Ainda deitada em sua cama - que ela não arrumava há meses, talvez anos, quem sabe - teve um devaneio. Quase que uma pequena e deliciosa epifania. Seria bom ser diferente. Ser feliz, pra variar. Seria bom ter um sorriso pra presentear alguém ou uma história engraçada pra contar. Por horas se deliciou pensando que talvez - isto é, talvez - fosse bom ter um amor. Mas não por que dizem que o amor traz felicidade e sim por ser, na concepção dela, uma razão digna. Tanto sofrimento, deveria ser digno de algo sublime: sentia-se ridícula por ser tão triste simplesmente por ser e sentir assim, mas sabia que isso por si só, não a faria mudar. Precisava de bem mais que isso.
Então em meio a esses pensamentos tortuosos, concluiu que aquele dia era exatamente como todos os outros. Sentou-se na cama, estava faminta. Olhou para a cabeceira que estava tão bagunçada quanto a cama e tomou seu café frio de um ou dois dias atrás (a cozinha ficava relativamente distante do quarto, sendo assim teria que se levantar, calçar os chinelos e se arrastar pela casa, e essa hipótese de movimento a incomodava sobremodo. O café não era tão importante). A noite não a esperou sair: já era dia. Era dia e era também mais uma madrugada que tinha sido desperdiçada com pensamentos sem ação. Ficou ali por alguns minutos, parada, observando a falta de movimento de seu quarto, ainda segurando a xícara fria que agora estava vazia.
A moça não sabia, mas naquele dia que era "exatamente como todos os outros", o destino se encarregaria de mudar sua vida por completo.
Um pouco depois, lá estava Melissa, na janela, observando o brilho do sol, habitualmente às 10 da manhã, quando ele apareceu. A rua estava bem movimentada pro horário, aparentemente era feriado ou alguma coisa do tipo. Os vizinhos todos estavam enfeitando a rua para a festividade que, segundo os comentários, aconteceria mais tarde. Mesmo com todo o movimento, ela não pôde deixar de notar o homem mal encarado que (mal) estacionava seu carro em frente à garagem da casa ao lado. Ele não era bonito, nem simpático, muito menos parecia agradável. Era grosseiro e usava uma jaqueta de couro rasgada no ombro. Tinha barba mal feita e a arrogância que ele exalava fez com que Melissa, imediatamente fitasse os olhos nele. O carro estava parado na frente da placa de proibido estacionar, mas ninguém parecia engajado a reclamar. Todos pareciam estar um pouco assombrados com aquela figura incomum rondando o local. Observando, rapidamente, ela percebeu o quanto incomodados os vizinhos estavam: deviam pensar que “o cara da jaqueta rasgada no ombro” poderia ser perigoso ou uma ameaça, sobretudo a sensação que ele causava a agradou. Sentiu-se irresistivelmente atraída, por isso estava decidida a se aproximar dele.

(Texto escrito em 2008.)

Banalidades

O que ela tem a dizer? Nada. Exatamente. Nada.
Um dia como todos os outros e lá está ela, lamentando a vida. Mas quem nunca passou por essa fase de sentir-se perdido mesmo conhecendo o caminho? Essa era a fase atual de sua vida. Pois bem, lá vai ela, se arriscar - mais uma vez - sem saber o que a espera.
Nem tudo na vida tem uma lógica perfeita e tentar entender as tramóias do destino é um capricho bobo que muitas vezes pode levar ao sofrimento. As coisas são como devem ser. E só. 

Algumas coisas só vão acontecer quando você não se importar mais com elas, irônico ou sem sentido, é assim que é. Porque nem tudo na vida precisa de sentido e o que precisa nem sempre tem. Era isso que aquela menina precisava entender. Precisava se contentar e aceitar o acaso: as "explicações" do destino nem sempre são tão agradáveis.
Todo dia, em sua cama - fosse no início ou no término dele, aquela moça desfrutava de um pensamento comum: sumir. Largar tudo e ir para um lugar distante e completamente desconhecido. Simplesmente desaparecer. Assim, de uma hora pra outra. Sem dar notícias ou explicação, sem despedidas ou permissão.
Não fazia, mas não por falta de coragem, tão pouco de condições: não podia fugir, nem desaparecer porque não existia razão - não tinha raíz. Nada que realmente valesse o desvario daquele ato.
O passado estava sempre presente. Algumas coisas não podem ser apagadas. Ela havia arruinado tudo e talvez esse fosse mesmo seu castigo. Talvez tudo tenha sido um grande erro.
Como compreender a mente daquela garota? Como curar aquele coração? Essas eram perguntas cuja resposta, certamente, ela mesma desconhecia.

Há algo mais doloroso do que o esquecimento? Haverá algo mais cruel do que essa terrível ausência? Infelizmente não. Qualquer outra penitência seria suportável.

Por mais que tudo estivesse dando certo, ela não podia ficar bem. "Não posso" - repetia em sua mente. Era culpada, logo precisava pagar por aquilo. Para sempre.

Se negava esquecer, se negava o perdão. Ela jamais se perdoaria. Esse era o maior estrago.

É incrível (e assustador) como palavras - ditas ou não - podem sentenciar uma vida. Aquela garota nem sempre foi tão amarga, nem sempre foi tão pessimista. Outrora, cansada de seu mundinho, desejou ser diferente, ter uma vida diferente. Ter relacionamentos delicados e muitos segredos. Sim, os segredos a fascinavam, mas a moça ainda não tinha noção: não sabia que até os segredos precisam ser livres de vez em quando.

 Ela queria uma grande história, um grande amor. Estúpida, achava mesmo que todas as histórias tinham finais felizes.
Aquela menina se sentia sozinha e embora ainda não soubesse, seria assim para sempre. Porque o destino assim o quis.

Foi então naquela tarde de outono que tudo começou. 

...

(Texto escrito em 2008.)