domingo, 16 de julho de 2017

Impasse

E se eu não puder dizer que estou sofrendo porque a culpa é minha?

O que eu faço com essa droga de mim? O que faço com essa droga de cabeça, com esse medo, com essas dores, onde eu enfio tudo isso?

O que eu faço pra não sumir? O que eu faço pra lembrar? Pra não lembrar? Pra esquecer?

Como eu faço pra não chorar, pra não entrar em completo desespero ao perceber que apodreço a cada dia?

E se eu me tratar e me perder mais ainda e não tiver conserto? Tem conserto?

E se eu conseguisse deitar no divã, se meu nariz não sangrasse, se eu chorasse a vida toda e tomasse todos os comprimidos, melhoraria?

Se minha mente fosse só minha, doeria menos? Se eu acordar amanhã e não souber? E se eu não sei?

Eu odeio tanto me ser, então por que estou fazendo tanta questão desse farrapo desgastado de entranha, só pra não ter que reaprender a minha própria vida?

A solução é morrer ou viver?

domingo, 25 de junho de 2017

Solidão

Mais uma madrugada, sozinha
No canto do quarto
Aquela saudade
Minha, será?
Não sei
Não espero mais ninguém chegar
A dor é minha
(Ou eu sou dela?)
Não vai embora
Fica mais
Me sinto sozinha
Não vai embora não
Deixa eu te sentir
Deixa eu sentir qualquer coisa
Nesse canto
Nesse quarto
Nesse escuro
Aqui dentro
Sou eu, será?
Solidão.

sábado, 8 de abril de 2017

Desabafo

Quantos textos desses bem tristes eu já escrevi pra dizer que não quero mais viver? Muitos e muitos e esse blog inteiro.

A vida não me agrada, eu não quero mais.
Meu deus, eu não quero.

Vale a pena dormir tanto, chorar tanto, morrer tanto só pra manter o aspecto de existência?
Meu deus, eu não quero.

Já estou morta, não me encontro mais,  não sei onde está o fio que liga as coisas, eu já passei da hora, do ponto, do tempo, disso.

Não consigo mais encontrar as conexões, tenho chorado no banho porque não me aguento mais. Meu deus, até quando?

Por que eu ainda estou aqui? Por que não encontro o jeito ideal pra acabar com isso e comigo? Eu não me quero mais, eu quero parar, quero ir embora, quero o sono e quero esse estado mórbido, porque assim dói menos, porque assim é nada, porque assim não sinto e isso com propriedade.

Quero findar tanto, tenho clamado aos céus com palavras profanas "por favor, alguém me mata", isso é viver? Meu deus, eu não aguento mais.

A noite de outro dia já se aproxima nos meus planos. Vou embora sozinha.