quarta-feira, 28 de março de 2018

Foda-se

Que se fodam os dramas, a eternidade, os poeminhas e sorrisinhos vazios que a gente dá por aí. A vida é prática, meu bem. E, na prática, você é minúscula. Tanto que se te busco na mente, o pensamento tem que ir fixo e reto para não te transpassar sem ao menos te perceber.

Você é pequena.
No mau sentido.
No pior sentido.

Paupérrima; sabe como?

Você é um guarda-chuvinha cor-de-nada tentando conter um temporal de verão em pleno centro de São Paulo. Você é sem sal, sem graça, sem cor e sem vida. Falta tempero, vibração. Falta pisar forte e mexer a massa de um lado pro outro anunciando presença.

Você é uma coisa tão mínima, que chega a ser repugnante a ideia de consumir qualquer pouca matéria que rale nessa sua crosta finíssima.

Pau - pér - ri - ma.

Eu não gosto de você. Não quero a sua presença. Que se fodam seus sentimentos fingidos e o seu bla-bla-blá. Foda-se você.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Insegurança

Se eu me banho do castanho dos seus olhos
E ao sair do mar esverdeado
Me deparo com o frio cortante
Enquanto estou nua no meio da praia à noite
Qual é o sentido?

quinta-feira, 1 de março de 2018

Trilhas

No rastro do sangue
um imenso prazer
não sei meu nome
ou onde eu sou aqui

Meu estômago
marejado se arrasta
de dentro pra fora
percepção avessada

As galáxias
se expandem
nas costas da tela
dos meus olhos

Meu corpo
se aquece
estou boquiaberta
e sem forças

Tudo se arrasta
vagarosamente
o brilho agudo

Resplandece deixando clara
a mancha
ilusão luminosa

São só alguns minutos
ou segundos

preciso de mais
preciso demais

preciso ser salva

eu quero ser

não posso amar você.