sábado, 4 de novembro de 2017

Não faz sentido

Quando eu senti que não podia mais ficar sozinha, me isolei. Fui pra longe porque essa necessidade me assusta e porque me ligar a algo tão limpo é colocar tudo a perder.

Então se eu estava naquele quarto escuro durante tantos dias, chorando e chorando, sem mais nada, foi porque eu escolhi isso. Então num momento agudo, com toda a ajuda e pré disposição, principalmente muita pré disposição, eu retomo, jogo fora tudo de novo, mas dessa vez, não tão sozinha.

Mas nada enche. Me encho de vazio - aquele velho clichê. Me apego ao que não existe e seco tudo porque mais uma vez escolhi sofrer. É isso?

Uma nova oportunidade, bonito demais pra estante. Lá vou eu. Agora só sinto falta de toda a escuridão. Sinto falta. Sinto falta. Sinto falta. Eu tenho tudo, por que sinto tanta falta?

São só 15 minutos com a comida no estômago, é só mais um pouco de sobriedade, é só mais um dia, pega leve, calma, foi só mais uma crise, você precisa ir embora, nada reluz diante desses olhos então.

Meu deus. Eu só queria um pouco do paraíso, porque sem isso, todo o céu é morte.

domingo, 16 de julho de 2017

Impasse

E se eu não puder dizer que estou sofrendo porque a culpa é minha?

O que eu faço com essa droga de mim? O que faço com essa droga de cabeça, com esse medo, com essas dores, onde eu enfio tudo isso?

O que eu faço pra não sumir? O que eu faço pra lembrar? Pra não lembrar? Pra esquecer?

Como eu faço pra não chorar, pra não entrar em completo desespero ao perceber que apodreço a cada dia?

E se eu me tratar e me perder mais ainda e não tiver conserto? Tem conserto?

E se eu conseguisse deitar no divã, se meu nariz não sangrasse, se eu chorasse a vida toda e tomasse todos os comprimidos, melhoraria?

Se minha mente fosse só minha, doeria menos? Se eu acordar amanhã e não souber? E se eu não sei?

Eu odeio tanto me ser, então por que estou fazendo tanta questão desse farrapo desgastado de entranha, só pra não ter que reaprender a minha própria vida?

A solução é morrer ou viver?

domingo, 25 de junho de 2017

Solidão

Mais uma madrugada, sozinha
No canto do quarto
Aquela saudade
Minha, será?
Não sei
Não espero mais ninguém chegar
A dor é minha
(Ou eu sou dela?)
Não vai embora
Fica mais
Me sinto sozinha
Não vai embora não
Deixa eu te sentir
Deixa eu sentir qualquer coisa
Nesse canto
Nesse quarto
Nesse escuro
Aqui dentro
Sou eu, será?
Solidão.